quinta-feira, dezembro 02, 2004

Imprensa: Inquérito aos sem-abrigo de Lisboa


Notícia do jornal Público, de 2 de Dezembro de 2004, da jornalista Anabela Mendes

Lisboa Faz Contagem dos sem-abrigo: O recenseamento dos sem-abrigo da cidade de Lisboa e o estudo da necessidade, ou não, de novas respostas para este problema, levou terça-feira à rua 160 técnicos da autarquia alfacinha, que durante a noite percorreram a cidade para fazer este levantamento. De acordo com a vereadora Helena Lopes da Costa, responsável pelo pelouro da Acção Social da Câmara de Lisboa, às 18 equipas de rua que todos os dias lidam só com a problemática dos sem-abrigo, juntaram-se as restantes equipas (17) que integram o Plano Municipal de Prevenção e Inclusão de Toxicodependentes e Sem-Abrigo, para em conjunto conseguirem "percorrer todas as ruas e becos da cidade, sem deixar de registar uma pessoa que fosse". Segundo a vereadora, os técnicos optaram por fazer um levantamento exaustivo só numa noite, "pois a população sem-abrigo é muito flutuante e desta forma, percorrendo a cidade toda de uma vez, a acção torna-se mais eficaz". Os elementos recolhidos serão agora tratados estatisticamente pelos 160 técnicos, que se espera que já no final deste mês terão um recenseamento actualizado, para que a autarquia perceba se terá de criar novas respostas para o problema. Helena Lopes da Costa mostrou-se ontem satisfeita com o trabalho desenvolvido pela Câmara de Lisboa no campo da acção social, salientando que foi com muito orgulho que recebeu o reconhecimento do Instituto Nacional de Administração, que considerou, a semana passada num congresso realizado em Santa Maria da Feira, o projecto desenvolvido pelo município lisboeta "um plano-modelo a ser seguido por outras autarquias". Com cinco abrigos, com uma capacidade de 840 camas, 46 sem-abrigo em residência assistida - pessoas retiradas da rua que aceitaram um emprego e uma casa e cujo processo de reinserção é acompanhado por técnicos da autarquia - e com uma centena de arrumadores de automóveis e alguns sem-abrigo a frequentar programas ocupacionais e de formação profissional (na Quinta do Cabrinha, em Alcântara), de acordo com a vereadora, "Lisboa está sobrecarregada". Para a dimensão da cidade, as estruturas e respostas existentes deveriam bastar, mas Helena Lopes da Costa afirma que o fluxo dos sem-abrigo de concelhos da periferia de Lisboa que rumam ao centro à procura de apoio, juntamente com cidadãos de Leste que chegam à capital, tem sobredimensionado este drama social. "Os concelhos da periferia de Lisboa têm poucas estruturas para tratar do problema e, na posse dos dados finais do estudo que agora está a ser feito, pretendemos, se for caso disso, pedir às outras câmaras que criem soluções para que as pessoas não continuem a ter necessidade de procurar ajuda em Lisboa", concluiu.

Para consultar mais notícias sobre esta iniciativa do Pelouro da Acção Social da Câmara Municipal de Lisboa clique nos seguintes links:
Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Diário Digital e Jornal Digital ou consulte as edições de hoje do jornal A Capital ou da revista Visão.