sábado, abril 09, 2005

Intervenção no XVII Congresso do PSD - Pombal

Senhor Presidente da Mesa do Congresso
Senhor Presidente da Comissão Política Nacional
Senhoras e senhores congressistas
Companheiras e companheiros

Dirijo-me a este Congresso numa hora difícil para Portugal e para o PSD.

Estou neste partido praticamente desde a sua fundação porque sempre acreditei no PSD.

Acredito na social-democracia e na capacidade reformista. Acredito em valores e no respeito mútuo. Acredito na liberdade de expressão e no sentido da democracia portuguesa.

Acredito na coragem. Em ousar e em ver mais longe. No respeito integral de um governo do povo para o povo.

Acredito no partido de Francisco Sá Carneiro, que, no início da nossa democracia, tornou o PSD num Partido grande, solidário e reformista, garantindo que Portugal nunca se afastasse dos verdadeiros valores da social-democracia.

Acredito no PSD de Aníbal Cavaco Silva, que, após a estabilização do processo democrático em Portugal, e sem nunca esquecer as preocupações de carácter social que nos caracterizam, lançou decisivamente o nosso País no caminho da modernização e do progresso.

Acredito no PSD de José Manuel Durão Barroso, que, confrontado com o pântano criado pelos Governos socialistas, teve a coragem de estabelecer uma política de contenção e de rigor, tornando de novo sustentável a construção de um Portugal próspero e dinâmico.

Acredito no PSD de Pedro Santana Lopes, que, chamado a continuar este trabalho de contenção e de rigor, lhe deu um novo e decisivo impulso.

Acredito na realização deste congresso porque acredito num verdadeiro combate aos perigos da descrença.

É um mal do nosso tempo que, infelizmente, teima em manter-se à tona de água. Basta olharmos à nossa volta para, num relance, percebermos a essência do que vos digo.

Portugal é hoje um país substancialmente diferente do que era em 1974. Progredimos e concretizámos. Evoluímos economicamente. Revelámos ganhos abundantes na nossa dimensão social. Na igualdade de oportunidades. Na justiça fiscal. No apoio solidário aos mais desfavorecidos. Na educação e nas políticas de saúde.

O enorme problema com que Portugal agora se debate, com a maioria absoluta do PS, é o retorno inevitável às ilusões de facilidade de um socialismo irresponsável que durante o governo de António Guterres provou o seu fracasso e tornou Portugal mais pobre e mais dependente.

Voltaram já as promessas fáceis, como a de conseguir 150 000 novos empregos, sem que o governo Sócrates explique como se conseguirão esses empregos e como se o Governo se pudesse substituir às empresas, à iniciativa privada, ao pulsar da economia.

É evidente que, com este Governo, vai crescer o peso do Estado na sociedade e na economia e que Portugal, contrariando o nosso desejo de se tornar competitivo na União Europeia, corre o sério risco de ser remetido para a cauda do pelotão, ainda para mais numa Europa a 25.

A experiência mostra bem que os Governos do Partido Socialista constituíram um atraso sistemático para Portugal.

É evidente que se assistirá a um retrocesso das nossas políticas, aquelas políticas que partem do princípio elementar de que o País só pode distribuir riqueza pelos seus cidadãos se souber criar riqueza primeiro.

Mas será que não é motivo para nos orgulharmos de tudo o que ajudámos a conseguir? Do nosso passado? Sem dúvida. Mas há quem não pense assim.

Assistimos, incrédulos, à formação de uma opinião dominante que se arroga o direito de pensar o país como se fosse o país deles. Um conjunto de gente respeitável, mas que entende Portugal à luz da imprensa estrangeira e das livrarias de elite. Que assiste 24 horas por dia ao que se passa nas notícias, mas que não conhece o povo nem sabe o que ele diz.

Gente que discute tudo, e o seu porquê, sem perceber que existe hoje um país que reclama mais do que opiniões parciais e politicamente dirigidas. Basta olhar para as páginas dos nossos jornais para percebermos o essencial da sua estratégia. Discutir o acessório sem nunca entrar no essencial, promovendo a divisão e a pequena intriga.

Portugal exige mais acção e menos opinião.

É neste contexto que venho aqui prestar uma homenagem política e declarar o meu apoio a um dos candidatos à presidência do PSD.

A homenagem que quero fazer perante o congresso do meu partido é a Pedro Santana Lopes.

Sou vice-presidente do PSD e pertenço à sua equipa na Câmara Municipal de Lisboa. Sou testemunha privilegiada do extraordinário esforço que Pedro Santana Lopes realizou depois de assumir a liderança do PSD, aquando da honrosa ascensão de José Manuel Durão Barroso à presidência da Comissão Europeia. Mais ainda. Da sua grande coragem na chefia do XVI Governo.

Caro Pedro Santana Lopes: rendo-lhe a minha homenagem porque você soube enfrentar, com a sua reconhecida coragem, uma das mais inacreditáveis barragens críticas da Comunicação Social de que há memória em Portugal.

Rendo-lhe a minha homenagem pela determinação e até pelo sacrifício físico com que se lançou na última campanha eleitoral, pela sua capacidade de mobilizar os militantes, de Norte a Sul e nas Regiões Autónomas.

E quando falo em militantes, em núcleos, em secções, em distritais, estou a falar daqueles militantes de todas as horas, muitos de condição humilde, dos militantes que não viram a cara às dificuldades, dos militantes que aparecem e trabalham quando o partido precisa deles.

Caros companheiros,

Sei bem que há por aí alguns partidos que estariam bem mais felizes se o PSD não existisse. Lamento desiludi-los. O PSD está bem vivo, está bem forte e capaz de contribuir para levar Portugal no caminho do progresso e do desenvolvimento.

Tenho orgulho de estar num partido que nunca procurou atalhos e caminhos sem saída, que nunca dividiu os portugueses, que sempre ofereceu a Portugal uma visão positiva e optimista.

É aqui, em congresso, que devemos, cada um com as suas diferenças, contribuir para a unidade do PSD e para o bem de Portugal.

Mas não posso deixar de dizer que é aqui, em congresso, que todos devemos falar. E aqui todos podem falar. O PSD é um Partido que sabe ouvir. Saibamos continuar a construir este grande Partido.

Quero estar num partido que se identifique com o meu país. Que represente todos os portugueses, e não apenas o interesse mesquinho dos mais fortes e mais ricos. Há um entre nós que o pode fazer.

Quero estar num partido que acredita no vigor das suas convicções democráticas, que encontra no seu íntimo a sabedoria e o bom senso para manter vivo o seu espaço de oposição construtiva e responsável. Há um entre nós que o pode concretizar.

Este é um congresso de sucessão na liderança do partido. Um congresso precisa de uma identificação mais clara entre o seu líder e o nosso universo de 133 000 militantes. Cada militante vale um voto. É essa a regra de ouro da democracia. E deve ser essa a regra do PSD.

É por isso necessário adoptar o método de eleição directa, já durante o próximo ano, após o congresso extraordinário para mudar os estatutos.

O nosso partido não pode excluir ninguém: todos somos necessários neste desafio para reconquistar a confiança dos Portugueses.

Mas o nosso partido precisa de se revitalizar para voltar a ser de novo maioritário. Para isso é imperioso trazer para o interior do PSD os movimentos construtivos da sociedade e saber reconquistar os seus sectores mais dinâmicos.

O nosso partido precisa de olhar menos para si próprio e mais para Portugal. Para isso tem de escolher um líder empreendedor, com propostas ousadas para dirigir a oposição, no Parlamento e fora dele, à maioria socialista.

Precisamos de um líder com experiência e sensibilidade para a vida concreta dos portugueses. Com provas dadas no progresso das comunidades locais pelas quais tem sido responsável. Com provas dadas na atracção de novos militantes para aumentar as capacidades do partido.

Precisamos de um líder cujo saber concreto não se resuma ao jogo de interesses puro e simples, às manobras de bastidores, à política que se esgota em si mesma e que poderia arrastar o PSD para novas derrotas.

Precisamos de um líder que saiba mobilizar e galvanizar os nossos candidatos às eleições autárquicas de Outubro, para as podermos ganhar.

É por tudo isto que lhe digo, meu caro Luís Filipe Menezes:

Por aquilo que representa para este partido. Pela coragem das suas propostas e pela determinação que aqui deu provas, pode contar com o meu voto e com o meu apoio.

Viva o PSD.

Viva Portugal.