domingo, julho 31, 2005

CML coordena trabalho de apoio aos sem-abrigo em Lisboa

Notícia publicada hoje, no Jornal de Notícias, da autoria da jornalista Mónica Costa: Trabalho não se sobrepõe. Ao todo, são 23 as instituições que desenvolvem trabalho voluntário com camadas da população mais desfavorecidas. Partilha de informação evita colisão das acções
São 23 as equipas de rua que actuam em Lisboa para dar apoio a sem-abrigo, prostitutas e toxicodependentes, entre outros. Quase todas percorrem a cidade em horários nocturnos, integradas no Plano Lx - Plano Municipal de Prevenção e Inclusão de Toxicodependentes e Sem-Abrigo.
E o trabalho destas instituições nunca se sobrepõe. Como explicou ao JN, Bárbara Dias, da Novos Rostos... Novos Desafios (NRND) - associação com cerca de três anos- as zonas de intervenção podem ser as mesmas, mas cada uma trata casos diferentes. "Reunimos semanalmente, se alguma instituição já está a tratar de algum utente, leva-o até ao fim". "Estamos sempre em contacto, telefónico ou por e-mail e já nos conhecemos e em caso de dúvida confirmamos uns com os outros". Se surge algum caso novo é discutido entre todas as associações.
A colaboração entre instituições é frequente. Por exemplo, a pedido do Plano LX, a NRND começou há pouco tempo a reforçar, na zona do Intendente, a prestação de troca de seringas, uma acção levada a cabo pela Associação Vitae. Agora a NRND trabalha ali das 18.30 horas às 19.30, altura em que é substituida pela equipa da Vitae, que continua a fornecer os kits.
Também o caso de Dário (ver página anterior) foi um exemplo de cooperação. A sua colocação no Centro de Abrigo do Beato foi conseguida através de um telefonema de Bárbara. Só a NRND abrange 764 toxicodependentes, na sua maioria sem-abrigo.
Joana, 22 anos, é voluntária da instituição depois de ter concluído o seu estágio curricular. O trabalho ajudou-a a mudar a ideia que tinha destas pessoas. "Todos têm uma história diferente e todos tiveram uma vida antes desta". «Via-os como uma massa cinzenta, misturados com os andrajos que vestiam". Joana espera concluir o curso em Setembro, para poder ser estagiária profissional e continuar este trabalho.
Também Bruno, 23 anos, espera poder vir a ser estagiário profissinal. Está a efectuar o estágio curricular desde Fevereiro. Faz a ronda nocturna duas vezes por semana e afirma que a realidade da toxicodependência "nunca é a que se espera". "Desmistifiquei o que sentia", declara.
Bárbara, Joana e Bruno sabem que não é facil chegar até aos toxicodependentes, muitos dos quais são sem-abrigo, mas vão tentando sempre falar com eles, para que façam tratamentos. Alguns aceitam conversar.

Estudo municipal identifica 931 indivíduos a viver na rua. A Câmara Municipal de Lisboa efectuou, a 30 de Novembro de 2004, um "Estudo sobre a População de Rua da Cidade de Lisboa". Foram identificados 931 indivíduos. Todas as associações incluídas no Plano LX -Plano Municipal de Prevenção e Inclusão de Toxicodependentes e Sem-Abrigo, sairam à rua, para zonas previamente definidas, para proceder à contagem.
Destes 931,432 foram contactados na rua. Em estruturas de abrigo/acolhimento 499.
O inquérito foi levado a cabo nas 53 freguesias da cidade. As freguesias que apresentaram um maior número de indivíduos foram Santo Condestável: 66 (15% do total); Santa Engrácia: 26 (6%); Benfica:22 (5%), e São Jorge de Arroios: 21 (5%). Ainda de acordo com o documento produzido pela autarquia, destes 432 indivíduos 31% têm idades entre os 25 e os 34 anos, sendo na sua maioria do sexo masculino (331).